Friday, August 25, 2006

Sobre o Aquífero "Guarani"

O que é mentira e verdade sobre o Aquifero Guarani ?

O Sistema Aqüífero Guarani tem cerca de 1,2 milhão de km2 e abrange territórios do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.Ao contrário da versão popular, ele não é um "mar de água doce", sendo composto por uma sucessão de camadas aqüíferas.Estudos recentes têm demonstrado que, devido à evolução geológica, além de descontínuo ele apresenta uma hidroestratigrafia complexa.O Rio Grande do Sul é um exemplo de como essas camadas aqüíferas foram compartimentadas, estando o sistema dividido em pelo menos quatro grandes blocos.Esses quatro compartimentos apresentam diferenças marcantes quanto ao conjunto de aqüíferos e sua qualidade, o que se reflete na potencialidade do sistema aqüífero.Apesar dessas constatações, o Sistema Aqüífero Guarani, por suas dimensões continentais, é um recurso hídrico de extraordinária importância para os quatro países do Mercosul.

O autor
José Luiz Flores Machado é geólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), diplomado em hidrogeologia pela Universidad de Madrid (UCM). Seu doutorado em geologia sedimentar pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) foi sobre geologia e estruturação do Sistema Aqüífero Guarani no Rio Grande do Sul. Desde 1976 é geólogo da CPRM/Serviço Geológico do Brasil, e atualmente coordena e executa estudos hidrogeológicos.

Onde Está a Água Potável?
Além da compartimentação espacial singular, a complexidade da constituição das camadas aqüíferas e a notável variação de potencialidade, também é necessária uma definição quanto à qualidade das águas do grande "mar de água doce".No compartimento Oeste, a presença das unidades hidroestratigráficas Botucatu, Guará e Pirambóia em condições estruturais favoráveis proporciona uma recarga rápida a partir das chuvas. As águas nas áreas aflorantes são bicarbonatadas cálcicas e/ou cálcico-magnesianas à medida que vão fluindo no subsolo. Possuem pH neutro a ácido, com baixos teores de sais dissolvidos. Nos locais onde as camadas aqüíferas estão em maior profundidade, confinadas por rochas vulcânicas, as águas são bicarbonatadas sódicas, com pH alcalino e teores de sais mais elevados. Em geral, as águas são de boa qualidade e potáveis.No compartimento Central-Missões, com a presença de unidades hidroestratigráficas triássicas, mesmo nas áreas de afloramento a qualidade das águas apresenta grandes variações. As águas das camadas mais arenosas podem ser bicarbonatadas alcalinas mesmo a pequena distância das áreas de recarga. A evolução geoquímica (acúmulo de sais no subsolo) é rápida e os teores de cloretos e salinidade total logo ultrapassam os limites de potabilidade. O aparecimento de teores excessivos de fluoretos também é um dos maiores problemas com relação à qualidade dessas águas. No compartimento Leste, geralmente os poços possuem pouca profundidade e estão em áreas de afloramento ou próximo dessas. A região caracteriza-se pela presença de águas de qualidade boa a excelente, com pH ácido a levemente alcalino, e salinidades dentro dos padrões de potabilidade.No compartimento Norte-Alto Uruguai, o Sistema Aqüífero Guarani encontra-se totalmente coberto pelas rochas vulcânicas da unidade hidroestratigráfica Serra Geral. Devido ao posicionamento estrutural do aqüífero, os poços são de grande profundidade (350 a 1.200 metros). Como conseqüência, suas águas possuem idades muito antigas e não são potáveis em grande parte da área. Além do aumento de salinidade (cloretos e sulfatos), os teores de fluoretos são excessivos e os teores de sódio podem causar alcalinização do solo. Novos estudos deverão esclarecer definitivamente a influência que os aqüíferos superiores têm sobre a qualidade das águas do Sistema Aqüífero Guarani. Entretanto, é importante destacar que é nesse compartimento que ocorrem as mais importantes manifestações de termalismo, com águas quentes sendo originadas nas grandes profundidades das camadas aqüíferas. Essa característica confere ao Sistema Aqüífero Guarani enorme importância econômica, pois suas águas possuem altas temperaturas, compatíveis para o uso em estâncias turísticas termais e em outras atividades industriais.

Para conhecer mais
Site do Projeto Sistema Aqüífero Guarani: http://www.sg-guarani.org/Estratigrafia do Permo-Triássico do Rio Grande do Sul: estilos deposicionais versus espaço de acomodação. U. F. Faccini. Tese de doutoramento, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2000.Compartimentação espacial e arcabouço hidroestratigráfico do Sistema Aqüífero Guarani no Rio Grande do Sul. J. L. F. Machado. Tese de doutoramento. Programa de Pós-Graduação em Geologia Sedimentar, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 237 págs., 2005.Aqüífero Guarani. A verdadeira integração dos países do Mercosul. E. F. Rosa Filho, N. R. B. Borghetti e J. R. Borghetti. Fundação Roberto Marinho/Itaipu Binacional, 2005.Análise estratigráfica e litofaciológica da Formação Botucatu (Eocretáceo da bacia do Paraná) no Rio Grande do Sul. C. M. S. Scherer. Tese de doutoramento, Curso de Pós-Graduação em Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 230 págs., 1998.

2 comments:

jessica said...

porque o em determinadas regiões onde se encontra o aquifero guarani , suas áquas são quentes

jessica said...

porqueem determinadas regiões onde se encontra o aquifero guarani , suas áquas são quentes